Revista MaterLife ed.241

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Publicado em 10 de janeiro de 2025
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Em “PÉ” pra quê?

Quando falamos em desenvolvimento infantil esperamos que nossas crianças consigam atingir todos os marcos motores esperados durante seu crescimento e uma das conquistas mais esperadas pelos pais e familiares de uma criança é a aquisição do ortostatismo (em pé) e a marcha de forma independente.

Entretanto, no caso de crianças com deficiência física, como a Paralisia Cerebral, por exemplo, essa postura nem sempre será possível de forma independente.

A Paralisia Cerebral (PC) descreve um grupo de desordens permanentes no desenvolvimento do movimento e da postura, as quais acarretam limitação da atividade e são atribuídas a distúrbios não progressivos no cérebro fetal ou infantil em desenvolvimento.

A teoria do desenvolvimento motor em que antigamente se falava que seria linear e predeterminada não é mais aceita pela comunidade cientifica. Dessa forma, não devemos esperar a criança sustentar a cervical e sentar-se, para a pôr em pé se ela não atingir esses marcos motores até os 9 meses de idade.

Devemos agir: entre 9 e 10 meses toda criança precisa experimentar a posição ortostática e entre os 12 e 13 meses de idade devemos iniciar o treino de troca de passos.

Para isso podemos usar os diversos recursos de tecnologia assistiva disponível no mercado, que nos ajudarão a proporcionar a posição em pé e a troca de passos àquelas crianças que não conseguem fazê-lo de forma independente.

Entre os dispositivos que facilitam essas posturas podemos citar os estabilizadores ortostáticos (parapodium e prancha ortostática), extensores de joelho, andadores e treinadores de marcha.

Cabe ao fisioterapeuta da criança decidir o tipo de dispositivo a partir das necessidades específicas da criança no contexto relacionado à função e estrutura corporal, nível de atividade e participação, além de analisar os fatores ambientais.

Entre os diversos benefícios da posição ortostática, pode-se citar a promoção do bem-estar emocional à criança com disfunção neuromotora, pois ela estará posicionada em altura semelhante à de outros indivíduos e olhando horizontalmente para o universo que a cerca.

Com isso, sua autoestima é elevada, seus sistemas corporais (visão, tato e equilíbrio) são exercitados e é estabelecido contato com meio e indivíduos, potencializando aquisições e aprendizados através de brincadeiras.

Também melhora o funcionamento do sistema circulatório e da respiração, auxilia na digestão na função intestinal, facilita a formação de cartilagem no quadril (no início do desenvolvimento) e previne lesões ortopédicas (luxação de quadril e encurtamentos musculares e tendíneos), cirurgias e internações, pois há também aumento da densidade óssea.

Em crianças em níveis mais graves, um dado muito importante sobre o risco de não ter a experiencia em pé com maior frequência é a possibilidade de a criança apresentar um déficit intelectual secundário devido à falta de experiências motoras.

Sendo assim, a postura em pé se torna ainda mais necessária para essas crianças ou qualquer outra que tenha alguma disfunção motora.

Estimulando a atividade e a participação, proporcionar a postura em pé gera a possibilidade de a criança explorar o mundo em sua volta da mesma maneira que seus pares com motivação e consequentemente mais feliz.

Giancarlo Schorne

Fisioterapeuta Neuropediátrico

Especialista em fisioterapia Neurofuncional na saúde da criança e adolescente pelo COFFITO/ ABRAFIN

Proprietário das clínicas UP KIDS Santa Rosa e UP KIDS Santo Ângelo

Materlife Ed 241 Digital

Tags

andadores, deficiência, Financiamento, inclusão de pessoas, Mobilidade Reduzida, Obesidade, Peso, pessoas com deficiência, Preconceito
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