NECESSIDADES DE SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Marilia Bense Othero
José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres

Necessidades de saúde da pessoa com deficiência: proposições a partir do estudo

A partir das narrativas e sua análise, e em consonância com o objetivo da pesquisa, foram construídos onze núcleos relacionados às necessidades de saúde da pessoa com deficiência, aos quais os serviços, programas e políticas precisam responder; destacando-se que há núcleos relacionados à saúde especificamente, mas há núcleos mais amplos, que envolvem intervenções intersetoriais.

Julga-se fundamental ressaltar, entre estas tendências gerais apresentadas, a importância, para as práticas em saúde, daquelas que envolvem a relação usuário/serviço, a fim de que os valores, desejos e necessidades possam ser, de fato, incorporados às práticas cotidianas concretas.

Acesso

Acesso aos serviços de saúde e de reabilitação, bem como a oportunidades de emprego, estudo, lazer, convivência, circulação social. Fica premente a necessidade de propostas e ações intersetoriais diante das questões desta população.

Apoio psicossocial

Ações para elaboração das perdas e mudanças decorrentes da deficiência e sua irreversibilidade. Anteriores a uma abordagem específica, escuta, apoio e acolhimento devem ser proporcionados por todos os profissionais de saúde. Ativação de redes de suporte e ações de orientação e apoio junto à família e comunidade são outros focos de ação fundamentais.

Aspectos gerais de saúde (para além da deficiência)

Intervenção nas questões de saúde para além dos aspectos específicos da deficiência (como, por exemplo, cuidados odontológicos e ginecológicos, emergências), devendo ser identificadas e acolhidas nos serviços de saúde utilizados por todos os cidadãos.

Autonomia e independência

Devido às incapacidades decorrentes da deficiência, é necessário trazer autonomia (escolha) e a maior independência possível (fazer sozinho), trabalhando suas capacidades e potencialidades, aspectos muito valorizados pelos sujeitos entrevistados na pesquisa.

Dispensação de equipamentos e dispositivos de tecnologia assistiva

Os equipamentos de ajuda são fundamentais para alguns tipos de deficiência, possibilitando autonomia, independência e dignidade: cadeiras de rodas, bengalas, muletas, órteses e próteses são alguns exemplos. Além destes, pode haver necessidade de equipamentos menos diretamente ligados à funcionalidade e à reabilitação, como sondas e coletores, por exemplo.

Informação / orientação

Prevenção e detecção precoce das deficiências, orientação sobre o quadro da deficiência, incapacidades decorrentes, prognóstico, tratamento, procedimentos que serão realizados e reabilitação são alguns dos aspectos que envolvem este tema. Por fim, a informação e a orientação devem estar relacionadas a aspectos gerais de direitos e cidadania.

Prevenção / diagnóstico precoces

Muitas deficiências são passíveis de prevenção e poderiam ser evitadas. Além disso, precisam ser detectadas precocemente, permitindo intervenção rápida e minimizando as incapacidades decorrentes do quadro. Nas histórias desta pesquisa, este aspecto apareceu pelo lado inverso: muitos tiveram seu diagnóstico tardio e, como consequência, maiores incapacidades.

Reconhecimento e garantia de direitos

Os direitos das pessoas com deficiência estão garantidos pela constituição; porém, ainda é vigente o imaginário da caridade e do favor para com as minorias. É necessário um trabalho de “conscientização” e validação destes direitos. As ações não se restringem à saúde, mas devem ser intersetoriais; a comunicação, a interação e a ação conjunta entre os setores fazem-se necessárias.

(Re)Encontro com atividades significativas

(Re)encontrar atividades que lhe façam e que lhe tragam sentido, possibilitando a retomada de um lugar de valor, ação e interação com o contexto em que vive. Atividades estas não necessariamente ligadas ao contexto de produção, mas do sentido construído junto a cada sujeito, ligado à história individual, familiar e cultural de cada um.

Validação e ajuda na construção de estratégias próprias de enfrentamento

Validar cada sujeito como único e singular, bem como compreender e incentivar as ricas possibilidades, capacidades e saberes de cada um. A partir das dificuldades e limitações impostas pela deficiência, o sujeito vai encontrando, em seu cotidiano, estratégias próprias de elaboração e enfrentamento concreto.

Vínculo com profissional de saúde

Ser cuidado, ouvido, orientado, valorizado em uma relação de confiança mútua e dialógica com o profissional.

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